Dados recentes de segurança pública revelam que Mato Grosso segue como o estado com a maior taxa de feminicídio do Brasil, um problema que assola a sociedade mato-grossense há anos. As informações do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgadas em julho, e os levantamentos da Polícia Civil de Mato Grosso, mostram que os números de crimes contra mulheres no estado se mantêm em um patamar alarmante.
O caso de violência contra mulheres mais recente foi registrado em Sinop, a fonoaudióloga Ana Paula Abreu Carneiro, 33 anos, foi morta a-facadas pelo próprio marido Lucas França Rodrigues. Ele foi preso.
Casos que marcaram em Nova Mutum
Em janeiro de 2019, Alexandre Lautenschlaiger matou a ex-namorada Rosangela da Silva, ele foi condenado a 20 anos de prisão. Em julho de 2024, Raquel Catani, filha do deputado estadual Gilberto Catani, foi morta com vários golpes de facas em sua casa, na comunidade Pontal do Marapé. O ex-marido e o irmão dele foram presos por cometerem o crime.
Aumento nos casos e perfil das vítimas
No primeiro semestre de 2024, Mato Grosso registrou um aumento no número de feminicídios, com 20 casos confirmados. A maioria das vítimas, 83%, foi morta em ambientes domésticos, e mais da metade dos crimes (55%) foi cometida com o uso de arma branca. Além disso, a Polícia Civil destaca que a maior parte das vítimas tinha entre 18 e 39 anos e era de cor parda ou preta, refletindo a vulnerabilidade de mulheres jovens e racializadas à violência de gênero.
A situação é ainda mais grave ao considerar o aumento de 113,48% nas denúncias feitas pelo Ligue 180 em 2024, o que sugere um problema profundo e persistente de violência doméstica e familiar.
Medidas de combate e desafios
Em resposta à crise, o governo e as instituições de justiça de Mato Grosso têm implementado e reforçado políticas de combate à violência. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Ministério Público (MPMT) têm trabalhado para expandir as redes de proteção à mulher em todo o estado. O objetivo é criar uma estrutura articulada entre a sociedade civil e o poder público para oferecer apoio e proteção mais eficazes.
Apesar dos esforços, a alta taxa de feminicídios indica que a rede de proteção ainda enfrenta desafios. As autoridades reforçam a importância da denúncia e incentivam a população a ligar para os números de emergência (190, 197, 180 e 181) ao presenciar ou ter conhecimento de casos de violência contra a mulher.