Em Mato Grosso, cerca de 30 mil mulheres adultas, com idade entre 18 e 50 anos, formalizaram denúncias de violência psicológica, entre janeiro de 2023 e julho de 2025.
As ocorrências são descritas como situações de chantagem, injúria, humilhações, perseguições entre outros crimes de ordem psicoemocional que impõem medo e riscos à vida.
De acordo com dados do Observatório Estadual de Segurança Pública (OBS), da Sesp-MT, houve um aumento de 26% no índice de registros específicos de violência psicológica com perseguições.
O Observatório mostra que o número de boletins de ocorrências dessa natureza saltou de 1.688, em 2023, para 1.956, em 2024.
Já neste ano, até julho, 1.620 mulheres denunciaram seus maridos, ex-maridos, namorados e ex por conta da violência psicológica com perseguições - restrição de liberdade e privacidade.
Também chama a atenção o número de denúncias de injúria, que é quando o homem desrespeita e ofende a honra da mulher.
Foram 14 mil ocorrências registradas entre janeiro de 2023 e julho de 2025.
Esse crime está tipificado no artigo 140 do Código Penal, se caracterizando por xingamentos ou comentários depreciativos.
Mas, o maior aumento, também de violência psicológica, foi o de constrangimento, humilhação e ou outros atos que, causam dano emocional à mulher, prejudicando seu pleno desenvolvimento ou visando controlá-la.
Esse está previsto no artigo 147-B do Código Penal Brasileiro, previsto com essa tipificação a partir da 14.188, de julho de 2021.
Essa lei criou o crime e a pena de reclusão de seis meses a dois anos, além de multa, para quem pratica violência psicológica contra a mulher.
Na semana pasada, a Polícia Judiciária Civil divulgou o Anuário de Violência Doméstica e Crimes Sexuais – 2024.
O documento tem como base o Relatório Estatístico e Análise dos Atendimentos na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) e do Plantão da Violência Doméstica e Crimes Sexuais.
O documento aponta aumento de 27,49% no número de atendimento prestado a mulheres vítimas de violência doméstica em 2024, na comparação com 2023.
Aponta ainda, por exemplo, que a segunda-feira é o dia da semana em que há maior procura pelas unidades policiais voltadas à política de segurança à mulher.Isso ocorreria em função do que ocorre nos finais de semana, como por exemplo, maior consumo de álcool.
Para a delegada titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM), Judá Maali, esse aumento representa a melhoria do atendimento prestado pelos profissionais, que passaram por inúmeras capacitações.
“O acolhimento pode representar o primeiro passo para o rompimento do ciclo da violência”, disse a delegada Judá Marcondes.
Segundo a delegada, o registro da denúncia e a procura por atendimento nas delegacias representam a autoconsciência da vítima.
“A gente acredita que, a partir do momento que a mulher se autoavalia, ela cria uma maior consciência sobre o que contexto que ela está inserida”, analisa a delegada.
Os meses de maio e outubro são os que mais demandam.
Ou seja, as mulheres mais recorrem à ajuda da polícia para romper ciclos de violência doméstica.
Esses são os meses de campanha de alerta e conscientização das mulheres sobre a importância de vencer o medo e denunciar todas as formas de violência doméstica.