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O Medo do que não Aconteceu

O maior prejuízo desse medo não é o susto, mas o desgaste. Quando o evento temido finalmente acontece (se é que acontece), já cheg

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O Medo do que não Aconteceu
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Existe um sofrimento que não deixa marcas visíveis, mas que exaure o corpo como se tivéssemos corrido uma maratona: o medo do que ainda não aconteceu. Somos especialistas em construir "castelos de areia" feitos de catástrofes hipotéticas. Sofremos pela demissão que não veio, pela doença que não temos, pela crítica que ninguém fez e pelo futuro que ainda nem nasceu.

O filósofo Sêneca já dizia, há dois mil anos: "Sofremos mais na imaginação do que na realidade". E nunca essa frase foi tão atual.

O Cérebro: Um Simulador de Desastres

Biologicamente, nosso cérebro é programado para a sobrevivência, não para a felicidade. Ele é um excelente simulador de riscos. Diante de uma incerteza, ele não projeta o melhor cenário; ele projeta o pior, para que estejamos "preparados". O problema é que o corpo não sabe distinguir um perigo real de um pensamento. Quando você imagina uma conversa difícil, seu coração acelera e seu cortisol sobe como se a discussão estivesse acontecendo agora.

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A Tirania do "E Se?"

O medo do que não aconteceu se alimenta de duas palavras mágicas: "E se?".

  • "E se o projeto der errado?"

  • "E se eles não gostarem de mim?"

  • "E se algo ruim acontecer com minha família?"

O "E se" é um buraco negro. Para cada resposta negativa que damos, a mente cria três novas perguntas. O resultado é a paralisia. Deixamos de viver o presente, que é real e tátil, para habitar um futuro sombrio que só existe nas nossas sinapses.

O Custo da Antecipação

O maior prejuízo desse medo não é o susto, mas o desgaste. Quando o evento temido finalmente acontece (se é que acontece), já chegamos a ele sem energia, porque gastamos todo o nosso "combustível emocional" sofrendo por antecipação. É como pagar juros de uma dívida que você ainda nem sabe se vai contrair.

Como Desarmar a Bomba Mental?

Para vencer o medo do que não aconteceu, é preciso trazer a mente de volta para a "âncora" do agora:

  1. Dê nome aos bois: Pergunte-se: "Isso é um fato ou uma suposição?". Se não há evidências concretas agora, é apenas um pensamento.

  2. Ação no lugar da preocupação: Se existe algo que você pode fazer hoje para prevenir o problema, faça. Se não há nada a ser feito, a preocupação é apenas ruído.

  3. Aceite a incerteza: O controle é uma ilusão. Gastamos uma energia imensa tentando controlar o incontrolável. O antídoto para o medo não é a certeza, mas a confiança na própria capacidade de lidar com o que vier.

O amanhã é um território desconhecido. Você pode passar a noite inteira desenhando monstros no mapa ou pode dormir para ter forças para explorar o caminho quando o sol nascer. Na maioria das vezes, os monstros que tanto tememos são apenas sombras projetadas pela nossa própria lanterna.

FONTE/CRÉDITOS: Reprodução
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José de Arimatéia - Jornalista - Membro da (FENAJ) - Federação Nacional de Jornalista,(FIJ) - Federação Internacional de Jornalistas, Sindicato dos Jornalistas do Estado de Mato Grosso - DRT, 3795-GO

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